[Etc-br] [g2g] Re: Eloá - tudo aquilo que a mídia não quer falar
Fabiana goa
fabiana.goa at gmail.com
Mon Oct 27 17:02:44 CET 2008
pois eh
tava conversando sobre isso hoje pela manha, de começar a tratar esses
homens, essas pessoas como doentes mentais que precisam de apoio e que isso
passe a ser tratado como problema de saúde pública.
Sei, a discussão aqui em casa parou no argumento, uai, o governo não dá
atenção a problemas de saúde publica mais urgentes paar tratar de casos
isolados pela mídia.. pois é, nessa discussão, pela paz dos meus neurônios,
prefiro deixar para depois, mas a pergunta continua.. as mulheres tem que
ser tratadas a margem de ongs e de polítcas excludentes? As mulheres
precisam continuar na posição de vítimas que precisam de apoio
assistencialista nas pontas? Beleza, precisam sim, mas acho que nem todos os
casos são indicação disso. Eu ví a mãe da Eloá falando que o namorado dela
ela possessivo, que tinha ciúme brutal e que não deixava ela sair nem com a
mãe pra igreja... isso foi o que realmente me atormentou, a família não tem
mais um papel social de orientação e sim de repressão ou de produção e
reprodução de valores imundos de submissão, eu lembro que quando me separei
mais ou menos 1,5 mês depois comecei a namorar um carinha e dai a minha mãe
dizia - não faça nada que incomode ele (meu ex) pra ver se ele volta pra
você... ah tá mãe - foda-se foi o que pensei, não tô fazendo nada pra
incomodar ele e sim pra ficar feliz, alegre ou seilá positiva quem sabe... o
mundo não gira em torno de um pênis sabia?
Inútil a família que praticamente entrega uma filha a um psicopata
perturbado.
Inútil uma mídia que está lutando pela redução da idade penal
Inútil uma sociedade que trata tudo como pecado ou caso de polícia
E eu acho que já nem tenho mais conceitos
beijos
2008/10/27 eiabel lelex <eiabel.lelex at gmail.com>
> pois é... tenho falado por aí que casa de apoio à mulheres vítimas de
> viol~encia já banalizou, que deveriam retirar do convívio erm sociedade eram
> os agressores, eles são quem precisam de apoio psicologico, pedagogico,
> politico, social... tinha que ter tratamento de choque, hehehe, eles ficarem
> em lugar incerto e não sabido recebendo de feministas todos o apoio e
> educação que precisam para retomarem seu convivio pacifiocop em sociedade...
> é sério! mas fica parecendo que dá mais financiamento prá ongs de mulheres e
> feministas as casa de apoio prá mulheres espancadas, vítimas de violência...
> não que ela não precisem, precisam, sim! mas não sõa elas que devem sair do
> convivio social... porque depois voltam e os caras agridem ainda mais...
>
> 2008/10/27 Fabiana goa <fabiana.goa at gmail.com>
>
> eu acho louco tambem a falta de apoio aos machos ...
>> eh isso mesmo... não nesse caso específico, mas em tantos outros em que os
>> homens são obrigados a lidar com as pressões e frustrações a mercê de uma
>> sociedade - leia-se familia nisso - que os obriga a ser os donos da bola, os
>> donos do jogo, uma relação dialética entre o faça merda e sofra com elas pq
>> vc é o fodão.
>>
>> Pensando por outro angulo, naquele filme, O quarto poder, como o cara se
>> mete em uma bola de neve sob ataque midiático pq ele não detem o poder da
>> comunicação. São leis que apoiam as mulheres (são poucas mas existem)mas o
>> que apoia os homens a não reproduzir tanta merda? Se uma mulher comete
>> aborto ela é presa, o homem não, beleza, mas a mulher pode receber apoio
>> psicológico, o homem não... não tem centros de apoio aos homens mas existem
>> centro de apoio a mulher, eu me pergunto o tempo todo se segrear e suprimir
>> o direito dos homens de serem tratados contra a violência pscológica não
>> seria as vezes um pilar de construção de tudo que imaginamos para construção
>> de políticas de gênero.
>>
>> Tô divagando uma conversa de hoje, no café da manhã aqui em casa, com meu
>> companheiro que ficou meio chocado quando eu perguntei se ele queria que eu
>> ajudasse ele a escrever um artigo onde homens falam de políticas públicas
>> para gênero de uma forma mais includente, porque eles são realmente
>> excluídos da discussão, ele disse que manifesto desse tipo é coisa de bo...
>> mas beleza, eles demoram mas quando a merda voa, todo mundo fica na
>> horizontal...
>>
>> beijos
>>
>>
>>
>> 2008/10/23 Fabianne Balvedi <fabs at estudiolivre.org>
>>
>> falando em criançada precoce, hoje me enviaram um email sobre simbolos
>>> pedófilos. Como sempre costumo checar as fontes do que me mandam, fucei,
>>> fucei, e acabei chegando nessa página aqui:
>>>
>>> http://en.wikipedia.org/wiki/Childlove_movement
>>>
>>> ainda estou chocada. Sinceramente, não sem nem o que falar direito. Na
>>> minha opinião, gente que acha que tratar desejo sexual entre crianças e
>>> adultos é o mesmo que tratar de desejo sexual entre diferentes gêneros é
>>> doente sim! Crianças tem que ser crianças, pelamordetudo!!! Crescer
>>> naturalmente, e não serem instigadas a acelerar sua sexualidade por conta de
>>> gente que não tem controle de seu pinto/vagina! Esse movimento é
>>> COMPLETAMENTE ABSURDO!!!
>>>
>>>
>>>
>>> 2008/10/23 Patricia Fisch <p.fisch at gmail.com>
>>>
>>> Enquanto as mães e pais não começarem a ensinar a suas filhas e filhos
>>>> que todos são iguais com mesmos direitos, desejos, vontades isso não vai
>>>> mudar.
>>>>
>>>> Não da pra esquecer que estamos sob o dogma do catolicismo, religião
>>>> machista onde as culpas e pecados do mundo vem junto da mulher desde o
>>>> nascimento. Impura, pecadora, ladina, mentirosa, falsa ... alguns dos
>>>> adjetivos que a biblia usa para denominar as mulheres.
>>>>
>>>> Não estou atacando a religião, apenas querendo abrir a conversa sobre
>>>> isso.
>>>> Somos dominados por religiões patriarcais a séculos, e esse dogma
>>>> "ensina" que a mulher é um ser inferior (100 anos que adquirimos o direito
>>>> ao voto?), em 1900 e caquinha ainda se queimavam mulheres na fogueira. até
>>>> hoje as mulheres trabalham mais e ganham menos que os homens, mesmo tendo em
>>>> certas ocasiões o dobro da qualificação profissional.
>>>>
>>>> A tv grobo mostra nas novelas as mulheres servindo de objeto, balançando
>>>> o bumbumbão pra entrar no concurso X, pra pegar o gostoso Y. E da-lhe
>>>> boquinha da garrafa.
>>>> Não mostram a mulher sendo um ser liberal. Não mostram a mulher dona do
>>>> seu poder, do seu sexo, do seu ser, do seu universo.
>>>> Se ela se dá bem, com certeza passou por cima de alguém, ou é mau
>>>> caracter, ou a vilã ou sentou na cadeira certa.
>>>>
>>>> As escolas liberam o bonde das cachoras na hora do recreio pras crias
>>>> ouvirem (estou em litigio com a escola, na minha época, com 10 anos fui
>>>> expulsa do colegio das freiras pq estava lendo o Cortiço... livro sujo e
>>>> pervertido segundo a irmã Ermelinda).
>>>>
>>>> As mães vestem as filhas de 8, 9 anos com roupa de esquina (mini saia no
>>>> queixo, blusinha justa e bota de salto). julinha brinca de boneca, e as
>>>> vizinhas perguntam se eu não acho ela muito "velha" pra brincar de boneca
>>>> com 10 anos. Eu acho é que ela é muito nova pra brincar de pegar o "boneco"
>>>> dos meninos. Infância é pra ser curtida até a hora que ela não quiser mais,
>>>> não vou cortar a brincadeira e toda a fase ludica da vida dela. Fase aliás,
>>>> que vai ajudar na fase ludica da adolescencia, da vida toda dela.
>>>>
>>>> Uma mãe/pai que permitem que uma criança de 12 anos namore com um homem
>>>> de 19 eu, particularmente acho deprimente.
>>>>
>>>> Minha mae casou obrigada aos 15. Nasci ela tinha 16.. quase 17. Ainda
>>>> brincava de boneca e reza a lenda que levou 3 meses pra deixar meu pai
>>>> chegar perto dela de medo da coisa, que ela nem sabia o que era.
>>>> Casou pq tinha boca demais em casa e comida de menos. Mas eram outros
>>>> tempos.
>>>> Tempos em que mulher era criada pra casar. Nos dias de hoje devemos
>>>> criar nossas crianças para se realizarem, para serem felizes.
>>>> Casar se quiserem, com quem quiserem. Mas nunca com 12, 13 anos.
>>>>
>>>> Fico com medo desse nosso mundo. Fico com medo de me tornar chata,
>>>> preconceituosa, ou sei lá o que.
>>>> Fico com medo de tentar prender as crias por medo da rua. Fico com medo
>>>> de soltar e morrer de medo do mundo.
>>>> Fico com medo de ver toda a criação que eu julgo certa (pq eu acho, nada
>>>> diz que estou acertando ou não) ir pras cucuias no primeiro par de olhos
>>>> lindos ou peitão passando na frente dos meus filhos.
>>>> Aqui no bairro teve um menino que apanhou da namorada. Tenho medo da
>>>> violencia, seja ela feminina ou masculina.
>>>>
>>>> Tenho medo do nosso mundo. Apesar dos gritos que damos para modificar as
>>>> coisas, ainda reificamos mesmo sem querer o passado, e apesar disso tudo
>>>> anda na mesma maré.
>>>>
>>>> Tadinha da Eloá. Não vai entrar no céu porque não era mais virgem. Comeu
>>>> a maça antes do recreio.
>>>> Vai arder no mármore do inferno pq se tornou uma infiel e impura no
>>>> momento que recusou o Linderberg quando ELE quis.
>>>>
>>>>
>>>> No dia em que as pessoas largarem os dogmas, aceitarem os outros como
>>>> aceitam a si mesmas e souberem o real significado da palavra RESPEITO pode
>>>> ser que a gente não assista mais pela Tv, net, ou sabe-se lá qual meio
>>>> telepático de comunicação vai existir então cenas como essa.
>>>>
>>>> Não precisaremos nos indignar com a vizinha levando tapão, e nos
>>>> revoltar quando tentamos ajudar e ainda ouvimos um : mas meu marido estava
>>>> nervoso, ele é tão bonzinho...
>>>>
>>>>
>>>> De novo, não entendam como um ataque religioso, porque não é. Mas a
>>>> criação que nossos tatatata era baseada nisso. Por isso ainda temos que
>>>> ouvir absurdos quando acontece uma coisa dessas. O assassino era gent boa,
>>>> ela que discordava dele o tempo todo no cativeiro...
>>>>
>>>> Pi
>>>>
>>>>
>>>>
>>>> 2008/10/22 eiabel lelex <eiabel.lelex at gmail.com>
>>>>
>>>> a violência contra as mulheres parece que se tornou banal... o mais
>>>>> trágico é que maioria continua apanhando calada... começa com um cla boca,
>>>>> depois um empurrão, depois um puxão de cabelo, depois um tapa, soco, depois
>>>>> a morte... maioria só denuncia qdo chega nos filhos... qdo os filhos passam
>>>>> a ser tbém vitimas da violência doméstica... tem dados estatisticas que
>>>>> dizem que o guri que cresce vendo sua mãe apanhar, acaba batendo na sua
>>>>> parceira, companheira tbém... o mais trágico é que ainda existem mulheres
>>>>> que educam seus filhos e filhas para a viol~encia, para a submissão... ainda
>>>>> existem mulheres que acham que se uma mulher apanhou é porque alguma coisa
>>>>> fez... mais trágico ainda é que ainda existem homesn e mulheres que se
>>>>> justificam em nome da defesa da honra, da mulher honesta... comportamentos e
>>>>> atitudes do tempo da avó da Drica que persistem, resistem entre nós... cada
>>>>> vez mais é preciso, necessário, urgente a defesa de que o homem sozinho não
>>>>> representa toda a humanidade e que a mulher antes de ser um sexo é um
>>>>> individuo... abre parenteses, qdo participei da gravação, produção do globo
>>>>> reporter sobre a lei maria da penha, a reportagem feita em pernambuco foi um
>>>>> chute no estomago, a equipe da globo gravou uma mulher sendo espancada,
>>>>> espancada mesmo, com o cara batendo a cabeça dela contra uma parede... o
>>>>> mais impressionante é que as pessoas que estavam no bar onde rolou a
>>>>> agressão, nada fizeram... parecia algo normal entre aquela gente... foi a
>>>>> equipe e uma outra mulher que interviram, gritaram, dispersaram... mas,
>>>>> entre nós mesmo, qtas vezes fomos "vítimas" de violência contra nossa pessoa
>>>>> pelo simples fato de ser mulher? é só a gente parar prá observar... não se
>>>>> trata apenas de porque somos mulher por ser mulher, mas muitas vezes somos
>>>>> vítimas sim pelo simples fato de se mulher... é caso de polícia, de justiça,
>>>>> de educação, de cultura... parece que vem dos tempos da caverna onde nos
>>>>> contam que o macho dava uma paulada na femea e a arrastava prá caverna... e,
>>>>> puta que pariu, tem mulher que ainda se acha a tal sendo somente ornamental.
>>>>>
>>>>> beso
>>>>>
>>>>> saudades de vcs... vamos fazer uma imersão?
>>>>>
>>>>> lelez
>>>>>
>>>>>
>>>>>
>>>>> 2008/10/21 Fabianne Balvedi <fabs at estudiolivre.org>
>>>>>
>>>>> pois eh, e com o consentimento dos pais!
>>>>>> novamente falta o foco na educação familiar, como no caso da TRIP,
>>>>>> em que não vi ninguém questionar o fato do cara ser menor de idade
>>>>>> quando comenteu o crime, o que transfere parte da responsabilidade
>>>>>> aos pais dele também.
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> 2008/10/20 Drica Veloso <dricaveloso at gmail.com>
>>>>>>
>>>>>> o que to achando mais bizarro é simpelsmente ninguém fdalar do fato de
>>>>>>> que a menina começou um relacionamento aos 12 anos com um cara de
>>>>>>> 19!!!! isso é coisa do tempo da minha bisavó que casou coom meu
>>>>>>> bisavo
>>>>>>> aos 12 anos quando nem tinha menstruado... naquela época isso era
>>>>>>> normal... e parece q hj em dia tb!!!
>>>>>>>
>>>>>>> 2008/10/20 Fabianne Balvedi <fabs at estudiolivre.org>:
>>>>>>> > Eloá. O que as mídias e os especialistas não discutem
>>>>>>> > Sábado, 18 de Outubro de 2008
>>>>>>> >
>>>>>>> > Há menos de 24h do trágico desfecho do seqüestro de Eloá Cristina
>>>>>>> > Pimentel, por Lindemberg Alves, todos atônitos procuramos
>>>>>>> "compreender"
>>>>>>> > via mediação dos meios de comunicação social e de especialistas da
>>>>>>> > segurança pública, psicólogos, e outros, um fato presente
>>>>>>> cotidianamente
>>>>>>> > no noticiário: o assassinato de mulheres.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Muitas são as explicações que tentam dar conta do comportamento do
>>>>>>> jovem,
>>>>>>> > cujo perfil durante o processo de negociação fora retratado pelos
>>>>>>> meios
>>>>>>> > como de um rapaz tranqüilo, trabalhador, que tinha planos para
>>>>>>> casar.
>>>>>>> > "Dificuldade de lidar com as frustrações"; "comportamento
>>>>>>> passional", "de
>>>>>>> > tolerância muito baixa às frustrações", entre outros argumentos são
>>>>>>> > discutidos publicamente em jornais, sites, rádio, enfim, em todo
>>>>>>> processo
>>>>>>> > de agendamento desta lamentável crônica de mais uma tragédia
>>>>>>> midiatizada.
>>>>>>> > Inúmeros aspectos deste acontecimento são ressaltados na cobertura:
>>>>>>> o
>>>>>>> > lugar, os protagonistas, o tempo, amigos, imagens, os momentos de
>>>>>>> > negociação, os lugares de origem de Eloá e Lindemberg, as
>>>>>>> imagens...
>>>>>>> > Todavia há um aspecto a ser considerado nesta notícia, e que passa
>>>>>>> > intocado na cobertura de crimes que possuem semelhança com o
>>>>>>> homicídio de
>>>>>>> > Eloá, o fato de que eles se relacionam com as desigualdades de
>>>>>>> gênero. Se
>>>>>>> > nos negarmos a discutir também nos noticiários esta face da
>>>>>>> violência,
>>>>>>> > será muito difícil à superação de algo que pode ser considerado,
>>>>>>> > lamentavelmente, um padrão cultural vigente, a prática de crimes
>>>>>>> contra as
>>>>>>> > mulheres.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Um breve monitoramento de mídia permite perceber a brutalidade e
>>>>>>> > reificação de crimes como estes: eles não são apenas crimes
>>>>>>> passionais,
>>>>>>> > podem ser situados numa teia complexa de construção de valores
>>>>>>> sociais que
>>>>>>> > forjam um feminino fraco, vulnerável, incapaz e sem condições de
>>>>>>> decidir a
>>>>>>> > própria vida, em contraposição a um modelo de masculinidade rígido
>>>>>>> e
>>>>>>> > legitimado socialmente a partir da força, da dominação e do
>>>>>>> controle. São
>>>>>>> > de certa maneira estes alguns dos elementos que mantém os
>>>>>>> mecanismos
>>>>>>> > psíquicos do poder na constituição do sujeito e a na construção da
>>>>>>> > sujeição.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Perceber os gêneros como processo de mediação do social é urgente
>>>>>>> para nos
>>>>>>> > darmos conta da violência contra a mulher como um fenômeno social
>>>>>>> cujo
>>>>>>> > aparecimento cotidiano nas mídias também precisa ser interpretado,
>>>>>>> > refletido com e a partir dos veículos de comunicação e tendo como
>>>>>>> foco o
>>>>>>> > papel social dos profissionais de imprensa.
>>>>>>> >
>>>>>>> > A motivação de Lindemberg em manter seqüestrada Eloá e tentar por
>>>>>>> fim a
>>>>>>> > vida da jovem se inter-relaciona com outros fatos conhecidos da
>>>>>>> sociedade
>>>>>>> > brasileira, como os assassinatos de Ângela Diniz, Sandra Gominde,
>>>>>>> Daniela
>>>>>>> > Perez, e ainda de inúmeros casos de violência e homicídios
>>>>>>> femininos que
>>>>>>> > são noticiados, mas que carecem não de uma tentativa de tentar
>>>>>>> compreender
>>>>>>> > o comportamento masculino, mas de questionar os valores sociais que
>>>>>>> se
>>>>>>> > reproduzem nas trocas simbólicas e tecem ainda, tristemente, este
>>>>>>> > predomínio do falo que oprime e extermina.
>>>>>>> >
>>>>>>> > O tiro na virilha de Eloá não é só uma metáfora, mas uma expressão
>>>>>>> do ódio
>>>>>>> > da tentativa frustrada de continuar mantendo o exercício do
>>>>>>> controle sobre
>>>>>>> > o corpo das mulheres, por isto me sinto hoje também transpassada
>>>>>>> por esta
>>>>>>> > bala.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Numa das notícias veiculadas sobre o Caso Eloá, dois personagens
>>>>>>> > sobrenaturais surgiram: um anjinho e um diabinho que acompanhavam
>>>>>>> > Lindemberg. Parece inacreditável, mas este recurso, muito comum
>>>>>>> entre
>>>>>>> > homens que praticam violência contra as mulheres, aparece mais uma
>>>>>>> vez
>>>>>>> > como uma máscara, uma performance que busca esconder o lado
>>>>>>> perverso de um
>>>>>>> > imaginário social que em momentos como este é despertado pelos
>>>>>>> disparos
>>>>>>> > protagonizados por um homem que representa os mecanismos simbólicos
>>>>>>> > forjados socialmente e que negam cotidianamente às mulheres o seu
>>>>>>> direito
>>>>>>> > a vida.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Sandra Raquew dos Santos Azevedo, jornalista.
>>>>>>> >
>>>>>>> >
>>>>>>> http://etnografiasdoinvisivel.blogspot.com/2008/10/elo-o-que-as-mdias-e-os-especialistas.html
>>>>>>> >
>>>>>>> > ______________________________
>>>>>>> > A "crise amorosa" do Coronel Felix
>>>>>>> >
>>>>>>> > A justificativa do coronel Eduardo Felix para explicar porque não
>>>>>>> atiraram
>>>>>>> > num sequestrador que se outorgou direito de morte sobre duas
>>>>>>> mulheres,
>>>>>>> > baseou-se no mito do amor: " é um garoto de 22 anos de idade, sem
>>>>>>> > antecedentes criminais e com uma crise amorosa". O criminoso, pois
>>>>>>> > sequestro é crime hediondo, motivado por ódio, transforma-se em um
>>>>>>> garoto
>>>>>>> > enamorado, nas mãos de quem o Coronel entregaria seu filho. O irmão
>>>>>>> de
>>>>>>> > Nayara, que sabia o que estava em cena, não entrou no cativeiro.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Em cena, o direito de propriedade ultrajado do macho sobre as
>>>>>>> fêmeas da
>>>>>>> > espécie. A mulher que se recusa a se submeter a essa lei é morta. É
>>>>>>> mais
>>>>>>> > uma a ingressar numa enorme lista. O Coronel tinha essa lei em
>>>>>>> mente.
>>>>>>> > Baseado nela, seu julgamento condenou Eloá à morte.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Não podemos deixar passar mais esse caso emblemático do pacto dos
>>>>>>> > patriarcas sobre a posse das mulheres. A imprensa foca em quem
>>>>>>> atirou,
>>>>>>> > como se não se
>>>>>>> > tratasse de machos se defendendo, não importa as consequências para
>>>>>>> as
>>>>>>> > mulheres.Tudo foi feito para poupar o criminoso. Até deixar a amiga
>>>>>>> entrar
>>>>>>> > de novo no cativeiro! E o Serra corroborando a ação da PM.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Crime passional não existe! A crime é a misoginia do sequestrador,
>>>>>>> dos
>>>>>>> > policiais, do governador e da mídia!
>>>>>>> > As mulheres morrem porque os homens odeiam quando elas são
>>>>>>> mulheres, elas
>>>>>>> > mesmas, em vez de SUAS namoradas, SUAS esposas, SUAS mães.Não se
>>>>>>> trata de
>>>>>>> > amor, trata-se de ódio. Ou isso fica claro ou nunca iremos dar
>>>>>>> conta da
>>>>>>> > "violência" contra a mulher.
>>>>>>> >
>>>>>>> > ana reis/NEIM-UFBA
>>>>>>> >
>>>>>>> > _______________________________________
>>>>>>> > Quem quer e não possui... mata porque ama!
>>>>>>> >
>>>>>>> > "Quero Eloá, amo a Eloá", essa é a frase que se tornou símbolo do
>>>>>>> crime
>>>>>>> > cometido por um homem violento e homicida. Frase que tirou o
>>>>>>> critério de
>>>>>>> > crime da situação e colocou em cena a figura do homem apaixonado e
>>>>>>> > desesperado pela falta do amor da sua vida.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Enquanto o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia
>>>>>>> Militar
>>>>>>> > esperava durante longos cinco dias para saber se o homem violento e
>>>>>>> > homicida iria se entregar, as pessoas se perguntam porquê os
>>>>>>> policiais não
>>>>>>> > atiraram nele nas seis vezes que ele ficou na mira dos atiradores
>>>>>>> de
>>>>>>> > elite.Vejo algumas pessoas se perguntarem de quem Eloá foi vítima.
>>>>>>> Aquela
>>>>>>> > cegueira que tanto, nós feministas, denunciamos, ficou absurdamente
>>>>>>> > evidente nesse caso que torturou de expectativa e medo a população
>>>>>>> > brasileira.
>>>>>>> >
>>>>>>> > O coronel da tropa de choque de São Paulo, Eduardo José Félix, diz
>>>>>>> que se
>>>>>>> > atirasse num rapaz de 22 anos em crise amorosa, todos julgariam que
>>>>>>> ele
>>>>>>> > matou um rapaz sem antecedentes criminais, trabalhador, por está
>>>>>>> > desesperado pela perda da namorada, sem nem ao menos esperar uma
>>>>>>> > negociação. Não só eu, mas acredito que muitas e muitas pessoas
>>>>>>> tremeram
>>>>>>> > ao ouvir a declaração do coronel, que ao invés de decidir cumprir
>>>>>>> seu
>>>>>>> > dever como policial, na defesa e proteção da vida das adolescentes
>>>>>>> > enclausuradas e ameaçadas, resolveu proteger o "pobre rapaz vítima
>>>>>>> de uma
>>>>>>> > crise amorosa". Como as coisas podem ser tão distorcidas assim?
>>>>>>> Como se
>>>>>>> > permite, apesar de tanto treinamento e experiência, que uma refém
>>>>>>> volte ao
>>>>>>> > cativeiro?
>>>>>>> >
>>>>>>> > O que mais me chocou, como ser humano, foi acompanhar Eloá viva na
>>>>>>> janela,
>>>>>>> > por várias vezes e depois vê-la, rodeada de policiais, com um tiro
>>>>>>> na
>>>>>>> > cabeça. O que mais me chocou como mulher, foi sentir o respeito
>>>>>>> pelo
>>>>>>> > "rapaz apaixonado" e o descaso pela vida das duas adolescentes que
>>>>>>> estavam
>>>>>>> > com o direito de viver ou morrer nas mãos de Lindembergue.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Na mídia e no ato passivo da polícia, ficou evidente que não se
>>>>>>> tratava de
>>>>>>> > um bandido nem de um criminoso, mas de um rapaz com o futuro
>>>>>>> inteiro pela
>>>>>>> > frente, que estava num momento de loucura. E onde fica o presente
>>>>>>> daquelas
>>>>>>> > meninas? Onde fica o futuro delas? Por que os outros reféns,
>>>>>>> rapazes,
>>>>>>> > foram logo liberados?
>>>>>>> >
>>>>>>> > Em nenhum momento percebi o direito à vida ser discutido. O que se
>>>>>>> falava
>>>>>>> > era que elas eram lindas e inseparáveis, e Eloá a menina mais
>>>>>>> bonita da
>>>>>>> > escola. Ela é uma menina bela, ponto.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Como é que um homem maior de idade, que mantêm duas adolescentes de
>>>>>>> 15
>>>>>>> > anos na mira de uma arma de fogo em cativeiro por cinco dias, não é
>>>>>>> um
>>>>>>> > criminoso? Por que tanto respeito a ponto de invadir o apartamento
>>>>>>> com
>>>>>>> > balas de borracha apenas? As "balas de verdade" do "pobre rapaz" a
>>>>>>> vida de
>>>>>>> > Eloá, e deixaram marcas para sempre no rosto de Nayara.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Amor? Até quando as mulheres vão morrer por essa coisa estúpida e
>>>>>>> perigosa
>>>>>>> > que chamam de amor? Até quando os homens vão se sentir tão
>>>>>>> proprietários
>>>>>>> > da vida das mulheres a ponto de decidir se ela continua ou acaba?
>>>>>>> >
>>>>>>> > Evidentemente que ele não tinha nada a perder. Como negociar com um
>>>>>>> > bandido se você não tem o que ele quer? Ele queria a propriedade
>>>>>>> sobre a
>>>>>>> > vida de uma mulher, suas decisões, seu afeto, sua vida... e já que
>>>>>>> ele, na
>>>>>>> > sua lógica, não a possuía mais, a penetrou e a feriu de morte com
>>>>>>> uma bala
>>>>>>> > em seu ventre, região da sexualidade e da vida. E para acabar com a
>>>>>>> > possibilidade enfim, dela continuar vivendo sua própria vida, suas
>>>>>>> > próprias decisões, o veredicto final do "pobre rapaz": um tiro que
>>>>>>> > atravessou sua cabeça.
>>>>>>> >
>>>>>>> > E por que ele teve tanta liberdade de decidir por isso? Porque ele
>>>>>>> é "o
>>>>>>> > cara, o príncipe do gueto", e príncipes costumam decidir quem vive
>>>>>>> e quem
>>>>>>> > morre.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Agora como consolo, a mídia mais uma vez faz aquele velho discurso:
>>>>>>> "os
>>>>>>> > órgãos da menina vão beneficiar pelo menos oito pessoas", aquele
>>>>>>> discurso
>>>>>>> > da bondade, do "não foi tudo perdido", a diretora do hospital
>>>>>>> declara: "a
>>>>>>> > gente acredita que vai ter grande sucesso. Apesar da dor da
>>>>>>> família, de
>>>>>>> > todo esse estresse emocional que esse seqüestro causou, a gente tem
>>>>>>> > alegria, com certeza, de fazer muitas pessoas que tinham o
>>>>>>> prognóstico
>>>>>>> > fechado viverem".
>>>>>>> >
>>>>>>> > Sucesso? Estresse? Alegria? Essas palavras me trazem aquela
>>>>>>> sensação de
>>>>>>> > filme já visto, do desvio das atenções, do apelo à doação de
>>>>>>> órgãos, o que
>>>>>>> > de fato é absolutamente legítimo, mas que neste caso não pode
>>>>>>> borrar a
>>>>>>> > atenção do assassinato de Eloá por um homem violento que se achava
>>>>>>> seu
>>>>>>> > dono.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Apesar de tudo, o delegado do caso, Luis Carlos dos Santos, ainda
>>>>>>> tem
>>>>>>> > muitas dúvidas antes de dar qualquer pronunciamento sobre a
>>>>>>> qualificação
>>>>>>> > do crime: "Precisamos saber principalmente o que o levou a tomar a
>>>>>>> decisão
>>>>>>> > de atirar nas vítimas". Seria para rir se não fosse tão trágico!
>>>>>>> >
>>>>>>> > Infelizmente, as mulheres ainda continuam lacradas, e neste caso,
>>>>>>> lacrada,
>>>>>>> > perfurada no útero por uma bala, eliminada da sua condição de
>>>>>>> "ser", pelo
>>>>>>> > dono da situação, que decidiu que sem ser de sua propriedade, não
>>>>>>> havia
>>>>>>> > nenhum motivo para continuar viva, ela já não tinha mais nenhum
>>>>>>> valor.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Espero que, no julgamento ao menos, esse homem violento, homicida
>>>>>>> > premeditado e seqüestrador, seja visto como tal, e não como um
>>>>>>> > "trabalhador, calmo, amigo, companheiro e rapaz desesperado" como
>>>>>>> quer a
>>>>>>> > mídia e a polícia.
>>>>>>> >
>>>>>>> > E eu fico aqui, me perguntando por que tanta condescendência com os
>>>>>>> homens
>>>>>>> > violentos e assassinos e tão pouco direito para as mulheres nessa
>>>>>>> > sociedade que se diz democrática.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Kaliani Rocha
>>>>>>> > kalianirocha at yahoo.com.br
>>>>>>> >
>>>>>>> > ___________________________________
>>>>>>> > Feminicídio ao vivo – o que nos clama Eloá
>>>>>>> >
>>>>>>> > Maria da Penha Maia Fernandes – Inspiradora da lei Maria da penha
>>>>>>> 11340 e
>>>>>>> > Coordenadora de Honra da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura
>>>>>>> Municipal
>>>>>>> > de Fortaleza.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas
>>>>>>> cem
>>>>>>> > horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas
>>>>>>> como
>>>>>>> > resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por
>>>>>>> causa de
>>>>>>> > uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um
>>>>>>> tipo de
>>>>>>> > dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira.
>>>>>>> No
>>>>>>> > Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de
>>>>>>> 1970, as
>>>>>>> > denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero
>>>>>>> contra as
>>>>>>> > mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens
>>>>>>> contra suas
>>>>>>> > parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o
>>>>>>> instituto da
>>>>>>> > defesa da honra, e desenvolveram-se ações de movimentos feministas
>>>>>>> e
>>>>>>> > democráticas pela punição aos assassinos de mulheres. A alegação
>>>>>>> da
>>>>>>> > defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra
>>>>>>> > mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista
>>>>>>> da
>>>>>>> > democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este
>>>>>>> tema vai
>>>>>>> > emergir como questão pública, política, a ser enfrentada pela
>>>>>>> sociedade
>>>>>>> > por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres. O
>>>>>>> assassinato de
>>>>>>> > Ângela Diniz em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi
>>>>>>> o
>>>>>>> > acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a
>>>>>>> absolvição
>>>>>>> > do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi
>>>>>>> uma
>>>>>>> > reação pela defesa da "honra". Na verdade, as circunstâncias
>>>>>>> mostravam um
>>>>>>> > crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o
>>>>>>> > relacionamento amoroso e a inconformidade do assassino com este
>>>>>>> fim. Essa
>>>>>>> > decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade
>>>>>>> cuja
>>>>>>> > pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o
>>>>>>> assassino. Outro
>>>>>>> > crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont pelo seu
>>>>>>> > ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram
>>>>>>> a
>>>>>>> > campanha "quem ama não mata".
>>>>>>> >
>>>>>>> > Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando,
>>>>>>> o
>>>>>>> > assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado
>>>>>>> inconformado
>>>>>>> > com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou
>>>>>>> a
>>>>>>> > iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O
>>>>>>> assassino,
>>>>>>> > durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado,
>>>>>>> bateu na
>>>>>>> > vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com
>>>>>>> um tiro
>>>>>>> > na virilha, local de representação da identidade sexual, e na
>>>>>>> cabeça,
>>>>>>> > local de representação da identidade individual. Um crime onde não
>>>>>>> apenas
>>>>>>> > a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega –
>>>>>>> o
>>>>>>> > feminino. Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do
>>>>>>> corpo, da
>>>>>>> > vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O
>>>>>>> > feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade,
>>>>>>> como o
>>>>>>> > "extremo de um continuum de terror anti-feminino", incluindo várias
>>>>>>> formas
>>>>>>> > de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança,
>>>>>>> acusações,
>>>>>>> > agressões físicas, até alcançar o nível da morte pública. O que o
>>>>>>> seu
>>>>>>> > assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o
>>>>>>> controle do
>>>>>>> > corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá
>>>>>>> como
>>>>>>> > sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como
>>>>>>> mulher (a
>>>>>>> > submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o
>>>>>>> poder sobre
>>>>>>> > ela – base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de
>>>>>>> poder, é
>>>>>>> > um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente
>>>>>>> > qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima,
>>>>>>> premeditado.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das
>>>>>>> > madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings,
>>>>>>> > estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato[i]
>>>>>>> é
>>>>>>> > necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de
>>>>>>> > homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios
>>>>>>> de
>>>>>>> > comunicação esse universo dos crimes do patriarcado. Esse é o
>>>>>>> caminho para
>>>>>>> > os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas
>>>>>>> de
>>>>>>> > violência de gênero contra as mulheres.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos
>>>>>>> direitos
>>>>>>> > humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das
>>>>>>> > Delegacias de Apoio às Mulheres – DEAMs, que hoje somam 339 no
>>>>>>> país, o
>>>>>>> > surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros
>>>>>>> de apoio
>>>>>>> > que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas,
>>>>>>> realizando
>>>>>>> > trabalho de denúncia e conscientização social para o combate e
>>>>>>> prevenção
>>>>>>> > dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate
>>>>>>> > pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como
>>>>>>> a
>>>>>>> > retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão
>>>>>>> para
>>>>>>> > agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A
>>>>>>> criação da
>>>>>>> > Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência
>>>>>>> > doméstica contra as mulheres.
>>>>>>> >
>>>>>>> > Mas, ainda assim as violências e o feminicídio continuam a
>>>>>>> acontecer.
>>>>>>> > Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram
>>>>>>> vítimas
>>>>>>> > de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em
>>>>>>> 2005,
>>>>>>> > 118 mortes e em 2004, mais 105 casos[ii]. As mulheres estão num
>>>>>>> caminho
>>>>>>> > de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do
>>>>>>> patriarcado
>>>>>>> > continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos. É
>>>>>>> preciso que
>>>>>>> > toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as
>>>>>>> práticas que
>>>>>>> > sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades,
>>>>>>> > desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário
>>>>>>> social
>>>>>>> > apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana. O
>>>>>>> comandante
>>>>>>> > da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no
>>>>>>> agressor
>>>>>>> > por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao
>>>>>>> seu
>>>>>>> > sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida
>>>>>>> empaticamente a
>>>>>>> > sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?
>>>>>>> >
>>>>>>> > Maria Dolores de Brito Mota - Socióloga, professora da Universidade
>>>>>>> > Federal do Ceará
>>>>>>> >
>>>>>>> > [i] SEGATO, Rita Laura. Que és um feminicídio. Notas para um debate
>>>>>>> > emergente. Serie Antropologia, N. 401. Brasília: UNB, 2006.
>>>>>>> >
>>>>>>> > [ii] Dados disponíveis em:
>>>>>>> >
>>>>>>> http://www.patriciagalvao.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=1076
>>>>>>> >
>>>>>>> >
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>>>>>>> > Fabianne Balvedi
>>>>>>> > GNU/Linux User #286985
>>>>>>> > http://fabs.tk
>>>>>>> > "Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou
>>>>>>> em lotes
>>>>>>> > lindeiros, o condutor deverá: [...] ceder passagem aos pedestres e
>>>>>>> > ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela
>>>>>>> pista da via
>>>>>>> > da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de
>>>>>>> passagem."
>>>>>>> > http://www.cicloviavel.org/CTB-bici.html
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>>>>>>> Drica Veloso
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>>>>>> lotes lindeiros, o condutor deverá: [...] ceder passagem aos pedestres e
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>>>>>> da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem."
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