[Etc-br] [g2g] Re: Eloá - tudo aquilo que a mídia não quer falar

eiabel lelex eiabel.lelex at gmail.com
Wed Oct 22 13:18:08 CEST 2008


a violência contra as mulheres parece que se tornou banal... o mais trágico
é que maioria continua apanhando calada... começa com um cla boca, depois um
empurrão, depois um puxão de cabelo, depois um tapa, soco, depois a morte...
maioria só denuncia qdo chega nos filhos... qdo os filhos passam a ser tbém
vitimas da violência doméstica... tem dados estatisticas que dizem que o
guri que cresce vendo sua mãe apanhar, acaba batendo na sua parceira,
companheira tbém... o mais trágico é que ainda existem mulheres que educam
seus filhos e filhas para a viol~encia, para a submissão... ainda existem
mulheres que acham que se uma mulher apanhou é porque alguma coisa fez...
mais trágico ainda é que ainda existem homesn e mulheres que se justificam
em nome da defesa da honra, da mulher honesta... comportamentos e atitudes
do tempo da avó da Drica que persistem, resistem entre nós... cada vez mais
é preciso, necessário, urgente a defesa de que o homem sozinho não
representa toda a humanidade e que a mulher antes de ser um sexo é um
individuo... abre parenteses, qdo participei da gravação, produção do globo
reporter sobre a lei maria da penha, a reportagem feita em pernambuco foi um
chute no estomago, a equipe da globo gravou uma mulher sendo espancada,
espancada mesmo, com o cara batendo a cabeça dela contra uma parede... o
mais impressionante é que as pessoas que estavam no bar onde rolou a
agressão, nada fizeram... parecia algo normal entre aquela gente... foi a
equipe e uma outra mulher que interviram, gritaram, dispersaram... mas,
entre nós mesmo, qtas vezes fomos "vítimas" de violência contra nossa pessoa
pelo simples fato de ser mulher? é só a gente parar prá observar... não se
trata apenas de porque somos mulher por ser mulher, mas muitas vezes somos
vítimas sim pelo simples fato de se mulher... é caso de polícia, de justiça,
de educação, de cultura... parece que vem dos tempos da caverna onde nos
contam que o macho dava uma paulada na femea e a arrastava prá caverna... e,
puta que pariu, tem mulher que ainda se acha a tal sendo somente ornamental.

beso

saudades de vcs... vamos fazer uma imersão?

lelez



2008/10/21 Fabianne Balvedi <fabs at estudiolivre.org>

> pois eh, e com o consentimento dos pais!
> novamente falta o foco na educação familiar, como no caso da TRIP,
> em que não vi ninguém questionar o fato do cara ser menor de idade
> quando comenteu o crime, o que transfere parte da responsabilidade
> aos pais dele também.
>
>
>
> 2008/10/20 Drica Veloso <dricaveloso at gmail.com>
>
> o que to achando mais bizarro é simpelsmente ninguém fdalar do fato de
>> que a menina começou um relacionamento aos 12 anos com um cara de
>> 19!!!! isso é coisa do tempo da minha bisavó que casou coom meu bisavo
>> aos 12 anos quando nem tinha menstruado... naquela época isso era
>> normal... e parece q hj em dia tb!!!
>>
>> 2008/10/20 Fabianne Balvedi <fabs at estudiolivre.org>:
>>  > Eloá. O que as mídias e os especialistas não discutem
>> > Sábado, 18 de Outubro de 2008
>> >
>> > Há menos de 24h do trágico desfecho do seqüestro de Eloá Cristina
>> > Pimentel, por Lindemberg Alves, todos atônitos procuramos "compreender"
>> > via mediação dos meios de comunicação social e de especialistas da
>> > segurança pública, psicólogos, e outros, um fato presente cotidianamente
>> > no noticiário: o assassinato de mulheres.
>> >
>> > Muitas são as explicações que tentam dar conta do comportamento do
>> jovem,
>> > cujo perfil durante o processo de negociação fora retratado pelos meios
>> > como de um rapaz tranqüilo, trabalhador, que tinha planos para casar.
>> > "Dificuldade de lidar com as frustrações"; "comportamento passional",
>> "de
>> > tolerância muito baixa às frustrações", entre outros argumentos são
>> > discutidos publicamente em jornais, sites, rádio, enfim, em todo
>> processo
>> > de agendamento desta lamentável crônica de mais uma tragédia
>> midiatizada.
>> > Inúmeros aspectos deste acontecimento são ressaltados na cobertura: o
>> > lugar, os protagonistas, o tempo, amigos, imagens, os momentos de
>> > negociação, os lugares de origem de Eloá e Lindemberg, as imagens...
>> > Todavia há um aspecto a ser considerado nesta notícia, e que passa
>> > intocado na cobertura de crimes que possuem semelhança com o homicídio
>> de
>> > Eloá, o fato de que eles se relacionam com as desigualdades de gênero.
>> Se
>> > nos negarmos a discutir também nos noticiários esta face da violência,
>> > será muito difícil à superação de algo que pode ser considerado,
>> > lamentavelmente, um padrão cultural vigente, a prática de crimes contra
>> as
>> > mulheres.
>> >
>> > Um breve monitoramento de mídia permite perceber a brutalidade e
>> > reificação de crimes como estes: eles não são apenas crimes passionais,
>> > podem ser situados numa teia complexa de construção de valores sociais
>> que
>> > forjam um feminino fraco, vulnerável, incapaz e sem condições de decidir
>> a
>> > própria vida, em contraposição a um modelo de masculinidade rígido e
>> > legitimado socialmente a partir da força, da dominação e do controle.
>> São
>> > de certa maneira estes alguns dos elementos que mantém os mecanismos
>> > psíquicos do poder na constituição do sujeito e a na construção da
>> > sujeição.
>> >
>> > Perceber os gêneros como processo de mediação do social é urgente para
>> nos
>> > darmos conta da violência contra a mulher como um fenômeno social cujo
>> > aparecimento cotidiano nas mídias também precisa ser interpretado,
>> > refletido com e a partir dos veículos de comunicação e tendo como foco o
>> > papel social dos profissionais de imprensa.
>> >
>> > A motivação de Lindemberg em manter seqüestrada Eloá e tentar por fim a
>> > vida da jovem se inter-relaciona com outros fatos conhecidos da
>> sociedade
>> > brasileira, como os assassinatos de Ângela Diniz, Sandra Gominde,
>> Daniela
>> > Perez, e ainda de inúmeros casos de violência e homicídios femininos que
>> > são noticiados, mas que carecem não de uma tentativa de tentar
>> compreender
>> > o comportamento masculino, mas de questionar os valores sociais que se
>> > reproduzem nas trocas simbólicas e tecem ainda, tristemente, este
>> > predomínio do falo que oprime e extermina.
>> >
>> > O tiro na virilha de Eloá não é só uma metáfora, mas uma expressão do
>> ódio
>> > da tentativa frustrada de continuar mantendo o exercício do controle
>> sobre
>> > o corpo das mulheres, por isto me sinto hoje também transpassada por
>> esta
>> > bala.
>> >
>> > Numa das notícias veiculadas sobre o Caso Eloá, dois personagens
>> > sobrenaturais surgiram: um anjinho e um diabinho que acompanhavam
>> > Lindemberg. Parece inacreditável, mas este recurso, muito comum entre
>> > homens que praticam violência contra as mulheres, aparece mais uma vez
>> > como uma máscara, uma performance que busca esconder o lado perverso de
>> um
>> > imaginário social que em momentos como este é despertado pelos disparos
>> > protagonizados por um homem que representa os mecanismos simbólicos
>> > forjados socialmente e que negam cotidianamente às mulheres o seu
>> direito
>> > a vida.
>> >
>> > Sandra Raquew dos Santos Azevedo, jornalista.
>> >
>> >
>> http://etnografiasdoinvisivel.blogspot.com/2008/10/elo-o-que-as-mdias-e-os-especialistas.html
>> >
>> > ______________________________
>> > A "crise amorosa" do Coronel Felix
>> >
>> > A justificativa do coronel Eduardo Felix para explicar porque não
>> atiraram
>> > num sequestrador que se outorgou direito de morte sobre duas mulheres,
>> > baseou-se no mito do amor: " é um garoto de 22 anos de idade, sem
>> > antecedentes criminais e com uma crise amorosa". O criminoso, pois
>> > sequestro é crime hediondo, motivado por ódio, transforma-se em um
>> garoto
>> > enamorado, nas mãos de quem o Coronel entregaria seu filho. O irmão de
>> > Nayara, que sabia o que estava em cena, não entrou no cativeiro.
>> >
>> > Em cena, o direito de propriedade ultrajado do macho sobre as fêmeas da
>> > espécie. A mulher que se recusa a se submeter a essa lei é morta. É mais
>> > uma a ingressar numa enorme lista. O Coronel tinha essa lei em mente.
>> > Baseado nela, seu julgamento condenou Eloá à morte.
>> >
>> > Não podemos deixar passar mais esse caso emblemático do pacto dos
>> > patriarcas sobre a posse das mulheres. A imprensa foca em quem atirou,
>> > como se não se
>> > tratasse de machos se defendendo, não importa as consequências para as
>> > mulheres.Tudo foi feito para poupar o criminoso. Até deixar a amiga
>> entrar
>> > de novo no cativeiro! E o Serra corroborando a ação da PM.
>> >
>> > Crime passional não existe! A crime é a misoginia do sequestrador, dos
>> > policiais, do governador e da mídia!
>> > As mulheres morrem porque os homens odeiam quando elas são mulheres,
>> elas
>> > mesmas, em vez de SUAS namoradas, SUAS esposas, SUAS mães.Não se trata
>> de
>> > amor, trata-se de ódio. Ou isso fica claro ou nunca iremos dar conta da
>> > "violência" contra a mulher.
>> >
>> > ana reis/NEIM-UFBA
>> >
>> > _______________________________________
>> > Quem quer e não possui... mata porque ama!
>> >
>> > "Quero Eloá, amo a Eloá", essa é a frase que se tornou símbolo do crime
>> > cometido por um homem violento e homicida. Frase que tirou o critério de
>> > crime da situação e colocou em cena a figura do homem apaixonado e
>> > desesperado pela falta do amor da sua vida.
>> >
>> > Enquanto o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar
>> > esperava durante longos cinco dias para saber se o homem violento e
>> > homicida iria se entregar, as pessoas se perguntam porquê os policiais
>> não
>> > atiraram nele nas seis vezes que ele ficou na mira dos atiradores de
>> > elite.Vejo algumas pessoas se perguntarem de quem Eloá foi vítima.
>> Aquela
>> > cegueira que tanto, nós feministas, denunciamos, ficou absurdamente
>> > evidente nesse caso que torturou de expectativa e medo a população
>> > brasileira.
>> >
>> > O coronel da tropa de choque de São Paulo, Eduardo José Félix, diz que
>> se
>> > atirasse num rapaz de 22 anos em crise amorosa, todos julgariam que ele
>> > matou um rapaz sem antecedentes criminais, trabalhador, por está
>> > desesperado pela perda da namorada, sem nem ao menos esperar uma
>> > negociação. Não só eu, mas acredito que muitas e muitas pessoas tremeram
>> > ao ouvir a declaração do coronel, que ao invés de decidir cumprir seu
>> > dever como policial, na defesa e proteção da vida das adolescentes
>> > enclausuradas e ameaçadas, resolveu proteger o "pobre rapaz vítima de
>> uma
>> > crise amorosa". Como as coisas podem ser tão distorcidas assim? Como se
>> > permite, apesar de tanto treinamento e experiência, que uma refém volte
>> ao
>> > cativeiro?
>> >
>> > O que mais me chocou, como ser humano, foi acompanhar Eloá viva na
>> janela,
>> > por várias vezes e depois vê-la, rodeada de policiais, com um tiro na
>> > cabeça. O que mais me chocou como mulher, foi sentir o respeito pelo
>> > "rapaz apaixonado" e o descaso pela vida das duas adolescentes que
>> estavam
>> > com o direito de viver ou morrer nas mãos de Lindembergue.
>> >
>> > Na mídia e no ato passivo da polícia, ficou evidente que não se tratava
>> de
>> > um bandido nem de um criminoso, mas de um rapaz com o futuro inteiro
>> pela
>> > frente, que estava num momento de loucura. E onde fica o presente
>> daquelas
>> > meninas? Onde fica o futuro delas? Por que os outros reféns, rapazes,
>> > foram logo liberados?
>> >
>> > Em nenhum momento percebi o direito à vida ser discutido. O que se
>> falava
>> > era que elas eram lindas e inseparáveis, e Eloá a menina mais bonita da
>> > escola. Ela é uma menina bela, ponto.
>> >
>> > Como é que um homem maior de idade, que mantêm duas adolescentes de 15
>> > anos na mira de uma arma de fogo em cativeiro por cinco dias, não é um
>> > criminoso? Por que tanto respeito a ponto de invadir o apartamento com
>> > balas de borracha apenas? As "balas de verdade" do "pobre rapaz" a vida
>> de
>> > Eloá, e deixaram marcas para sempre no rosto de Nayara.
>> >
>> > Amor? Até quando as mulheres vão morrer por essa coisa estúpida e
>> perigosa
>> > que chamam de amor? Até quando os homens vão se sentir tão proprietários
>> > da vida das mulheres a ponto de decidir se ela continua ou acaba?
>> >
>> > Evidentemente que ele não tinha nada a perder. Como negociar com um
>> > bandido se você não tem o que ele quer? Ele queria a propriedade sobre a
>> > vida de uma mulher, suas decisões, seu afeto, sua vida... e já que ele,
>> na
>> > sua lógica, não a possuía mais, a penetrou e a feriu de morte com uma
>> bala
>> > em seu ventre, região da sexualidade e da vida. E para acabar com a
>> > possibilidade enfim, dela continuar vivendo sua própria vida,  suas
>> > próprias decisões, o veredicto final do "pobre rapaz": um tiro que
>> > atravessou sua cabeça.
>> >
>> > E por que ele teve tanta liberdade de decidir por isso? Porque ele é "o
>> > cara, o príncipe do gueto", e príncipes costumam decidir quem vive e
>> quem
>> > morre.
>> >
>> > Agora como consolo, a mídia mais uma vez faz aquele velho discurso: "os
>> > órgãos da menina vão beneficiar pelo menos oito pessoas", aquele
>> discurso
>> > da bondade, do "não foi tudo perdido", a diretora do hospital declara:
>> "a
>> > gente acredita que vai ter grande sucesso. Apesar da dor da família, de
>> > todo esse estresse emocional que esse seqüestro causou, a gente tem
>> > alegria, com certeza, de fazer muitas pessoas que tinham o prognóstico
>> > fechado viverem".
>> >
>> > Sucesso? Estresse? Alegria? Essas palavras me trazem aquela sensação de
>> > filme já visto, do desvio das atenções, do apelo à doação de órgãos, o
>> que
>> > de fato é absolutamente legítimo, mas que neste caso não pode borrar a
>> > atenção do assassinato de Eloá por um homem violento que se achava seu
>> > dono.
>> >
>> > Apesar de tudo, o delegado do caso, Luis Carlos dos Santos, ainda tem
>> > muitas dúvidas antes de dar qualquer pronunciamento sobre a qualificação
>> > do crime: "Precisamos saber principalmente o que o levou a tomar a
>> decisão
>> > de atirar nas vítimas". Seria para rir se não fosse tão trágico!
>> >
>> > Infelizmente, as mulheres ainda continuam lacradas, e neste caso,
>> lacrada,
>> > perfurada no útero por uma bala, eliminada da sua condição de "ser",
>> pelo
>> > dono da situação, que decidiu que sem ser de sua propriedade, não havia
>> > nenhum motivo para continuar viva, ela já não tinha mais nenhum valor.
>> >
>> > Espero que, no julgamento ao menos, esse homem violento, homicida
>> > premeditado e seqüestrador, seja visto como tal, e não como um
>> > "trabalhador, calmo, amigo, companheiro e rapaz desesperado" como quer a
>> > mídia e a polícia.
>> >
>> > E eu fico aqui, me perguntando por que tanta condescendência com os
>> homens
>> > violentos e assassinos e tão pouco direito para as mulheres nessa
>> > sociedade que se diz democrática.
>> >
>> > Kaliani Rocha
>> > kalianirocha at yahoo.com.br
>> >
>> > ___________________________________
>> > Feminicídio ao vivo – o que nos clama Eloá
>> >
>> > Maria da Penha Maia Fernandes – Inspiradora da lei Maria da penha 11340
>> e
>> > Coordenadora de Honra da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura Municipal
>> > de Fortaleza.
>> >
>> > Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas cem
>> > horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas como
>> > resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por causa de
>> > uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um tipo
>> de
>> > dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira. No
>> > Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de 1970,
>> as
>> > denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero contra as
>> > mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens contra
>> suas
>> > parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o instituto da
>> > defesa da honra, e desenvolveram-se ações de movimentos feministas e
>> > democráticas pela punição aos assassinos de mulheres.  A alegação da
>> > defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra
>> > mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista da
>> > democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este tema
>> vai
>> >  emergir como questão pública, política,  a ser enfrentada pela
>> sociedade
>> > por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres. O assassinato
>> de
>> > Ângela Diniz em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi o
>> > acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a
>> absolvição
>> > do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi uma
>> > reação pela defesa da "honra". Na verdade, as circunstâncias mostravam
>> um
>> > crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o
>> > relacionamento amoroso e a inconformidade do assassino com este fim.
>> Essa
>> > decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade cuja
>> > pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o assassino.
>> Outro
>> > crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont  pelo seu
>> > ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram a
>> > campanha "quem ama não mata".
>> >
>> > Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando, o
>> > assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado
>> inconformado
>> > com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou a
>> > iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O
>> assassino,
>> > durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado, bateu na
>> > vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com um
>> tiro
>> > na virilha, local de representação da identidade sexual, e na cabeça,
>> > local de representação da identidade individual. Um crime onde não
>> apenas
>> > a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega – o
>> > feminino. Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do corpo,
>> da
>> > vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O
>> > feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade, como o
>> > "extremo de um continuum de terror anti-feminino", incluindo várias
>> formas
>> > de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança, acusações,
>> > agressões físicas, até  alcançar o nível da morte pública. O que o seu
>> > assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o controle
>> do
>> > corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá como
>> > sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como mulher (a
>> > submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o poder
>> sobre
>> > ela – base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de poder,
>> é
>> > um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente
>> > qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima,
>> premeditado.
>> >
>> > Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das
>> > madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings,
>> > estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato[i] é
>> > necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de
>> > homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios de
>> > comunicação esse universo dos crimes do patriarcado. Esse é o caminho
>> para
>> > os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas de
>> > violência de gênero contra as mulheres.
>> >
>> > Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos direitos
>> > humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das
>> > Delegacias de Apoio às Mulheres – DEAMs, que hoje somam 339 no país, o
>> > surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros de
>> apoio
>> > que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas, realizando
>> > trabalho de denúncia e conscientização social para o combate e prevenção
>> > dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate
>> > pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como a
>> > retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão para
>> > agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A criação da
>> > Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência
>> > doméstica contra as mulheres.
>> >
>> > Mas, ainda assim as violências e o feminicídio continuam a acontecer.
>> > Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram
>> vítimas
>> > de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em 2005,
>> > 118 mortes e em 2004, mais 105 casos[ii].  As mulheres estão num caminho
>> > de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do
>> patriarcado
>> > continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos. É preciso
>> que
>> > toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as práticas que
>> > sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades,
>> > desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário social
>> > apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana. O
>> comandante
>> > da ação policial  de resgate de Eloá declarou que não atirou no
>>  agressor
>> > por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu
>> > sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a
>> > sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?
>> >
>> > Maria Dolores de Brito Mota - Socióloga, professora da Universidade
>> > Federal do Ceará
>> >
>> > [i] SEGATO, Rita Laura. Que és um feminicídio. Notas para um debate
>> > emergente. Serie Antropologia, N. 401. Brasília: UNB, 2006.
>> >
>> > [ii] Dados disponíveis em:
>> >
>> http://www.patriciagalvao.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=1076
>> >
>> >
>> > --
>> >
>> >   ~o
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>> > (*) /-(*)    vote bike!
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>> > --
>> > Fabianne Balvedi
>> > GNU/Linux User #286985
>> > http://fabs.tk
>> > "Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em
>> lotes
>> > lindeiros, o condutor deverá: [...] ceder passagem aos pedestres e
>> > ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da
>> via
>> > da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem."
>> > http://www.cicloviavel.org/CTB-bici.html
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > _______________________________________________
>> > Etc-br mailing list
>> > Etc-br at eclectictechcarnival.org
>> > http://eclectictechcarnival.org/cgi-bin/mailman/listinfo/etc-br
>> >
>> >
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>>
>>
>> --
>> Drica Veloso
>> http://drica.org
>> Linux user: #392121
>>
>
>
>
> --
> Fabianne Balvedi
> GNU/Linux User #286985
> http://fabs.tk
> "Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes
> lindeiros, o condutor deverá: [...] ceder passagem aos pedestres e
> ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via
> da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem."
> http://www.cicloviavel.org/CTB-bici.html
>
>   ~o
>     /<,
> ._`\ -_\#/
> (*) /-(*)    vou de bike!
>
> _______________________________________________
> Etc-br mailing list
> Etc-br at eclectictechcarnival.org
> http://eclectictechcarnival.org/cgi-bin/mailman/listinfo/etc-br
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