Onderwerp : [Etc-br] Publicidade e Auro-estima das meninas
Auteur :
eiabel lelex
E-mail :
eiabel.lelex op gmail.com
Datum :
Di Nov 27 02:19:45 CET 2007
20/11/2007 | Sérgio Capparelli * (sergiocapparel op yahoo.com)
Publicidade e Auto-estima das meninas
As pessoas gostam de cálculos. Querem saber, por exemplo, quanto tempo o
homem passa dormindo no curso de uma vida. Ou falando. Ou então, quanto
tempo alguém terá passado na frente da televisão, na base de quatro horas,
por dia, caso morra aos 60 anos.
Uma pesquisa internacional mostrou agora que uma menina inglesa ou
norte-americana, ao chegar aos 12 anos, já assistiu a 77.500 anúncios de
publicidade. E uma pergunta se fizeram os pesquisadores: tanta exposição à
publicidade deixou-as mais ou menos felizes? Em outras palavras, de que
forma esses anúncios repercutiram na imagem que essas meninas tinham de si
mesmas?
A resposta parece muito difícil, por envolver muito tempo da vida de cada
uma delas, mas os pesquisadores afirmaram que existe uma ligação entre as
imagens de mulheres, transmitidas nesses anúncios, e a baixa estima que
elas têm de si mesmas.
Esses pesquisadores observaram 2 mil meninas, entre 10 e 14 anos, revelando
que 77% delas mostraram-se descontentes consigo mesmas, achando-se gordas,
feias ou deprimidas na frente de belos modelos dos anúncios publicitários.
Em resumo, elas se desprezavam, por se sentirem inferiores enquanto
mulheres.
A pesquisa foi feita por ocasião do lançamento de produtos de beleza da
empresa Dove. Eles queriam mostrar que é possível fazer anúncios de bom
gosto, que não causam traumas. E por outro lado, denunciar a pressão extrema
a que são submetidas as meninas desde a mais tenra idade.
De fato, todos os anúncios prometem uma mulher mais inteligente, mais
bonita, mais jovem, mais leve e mais decidida. E isso tudo junto, é um peso
para as meninas. Nem sempre a imagem mostrada é atingível. E depois de
tantas mensagens, essas promessas passam a ser exigências das meninas para
consigo mesmas. E elas sabem antecipadamente que não poderão ser tão belas,
tão sedutoras e tão inteligentes. Tudo isso passa a influir na vida diária.
Cerca de 93% delas, por exemplo, sentem stress e ansiedade quando estão se
vestindo.
A psicoterapeuta inglesa Susie Orbach afirmou ao jornal The Independent que
as jovens "são bombardeadas por milhões de imagens manipuladas digitalmente,
com cuidados diários de beleza, e que isso pode, de fato, fazer baixar sua
auto-estima". Pois essas telespectadoras sabem que nunca poderão se comparar
ao que estão vendo nos anúncios. Daí a necessidade dos pais ajudarem suas
filhas nessa luta por uma imagem e auto-estima condizente com valores que
não sejam apenas os comerciais.
** Sérgio Capparelli é jornalista e escritor. Morou em Pequim até o início
deste ano, e lá trabalhou numa agência de notícias, a Xinhua News Agency.*
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